O dia no Vietname nasceu e o meu ch
itamento foi inevitável.
As pequenas janelas do
Cathay Pacific sentiram o meu violento limpar o embaciado que se metia entre mim e a maravilha verde e rio.
Saigão para depois e uma daquelas noitadas num comboio colado ao tecto, fizeram a chegada a
Nha Trang despreocupada e sem grandes correrias á
guest mais barata. De
malão em punho, (a palavra é), “
abancámos” numa tenda no meio da rua, com mesas e cadeiras
xxs, onde nos apresentaram um café muito doce com gelo. Detestei mas adorei a companhia e o meu arranhar das palavrinhas do capitulo
Language do guia famoso. Ficámos todos muito amigos e lá fui a procura das Contacto Portuguesas em Xangai que estavam de ferias uma
semaninha.
Nha Trang parece o desabrochar de
Quarteira. Realmente a paria é linda mas o medo de me transformar em estátua de sal não me deixou olhar para os
feiosos edifícios que se insinuam mesmo a
beirinha.

Foram dias de praia que deliciam qualquer rapariga que se preze. Palhota privada, cadeiras com colchão,
manicure a disposição e uma panóplia de marisco, ainda vivo, a deleitar-se na gralha, mesmo á beira-mar.
Cansámo-nos... Apanhámos uma carrinha em direcção a Mui
Né que demorou mais três horas do que o previsto e muitas cantigas do antigamente.
E não é que estou num
resort? Pergunto eu á tipa que está na janela, muito
queimadinha, com mais quatro quilos em cima que por acaso sou eu.
É verdade! As meninas de Xangai tratam-se bem mas para quem só tem uma semana é mais do que merecido. Já eu e a Rita, como
backpackers que somos,
infiltrámo-nos numa caminha extra que agradecemos eternamente ás
sponsers mais giras de Xangai.

Foi viver na ilha do Thomas
Crown (mas sem
affair) e passear nas praias de areia branca, cercadas de palmeiras, onde qualquer fotografia sai favorecida. Fartei-me de pedir ao mar para não entrar dentro da piscina mas ele insistia...Os
cocos tinham sabor a doce, os passeios de bicicleta ao fim da tarde, sabor a mar. Lindas de morrer, lá íamos nós para mais uma sessão de bronzeado perfeito e umas
saladinhas variadas. Foram dias para o descanso que o corpo pedia, para voltar a arrumar a mala convenientemente e sobre tudo, para perceber o bem que faz ser se bem tratado, seja onde for.
Saigão
Motas são a paisagem de
Saigão. São milhares, grandes, podres, pequenas,
esguias, em sentido contrário, nos passeios, com 3 e 4 passageiros, nos parques, sem capacete, sem parar...

É a verdadeira anarquia no comunismo e na estrada tudo é permitido menos atravessar. Numa das muitas
boleias que apanhei, vinham comentários orgulhosos da frente – “sem este trânsito os vietnamitas não são felizes”, “o medo é de quem pára” e outras frases de guerra com o mesmo sentido patriótico e destemido. As bandeiras do país e símbolos da ideologia colorem as ruas principais e por momentos sinto o peso da imposição, a carga duma pressão superior. Mas o povo vive na rua e tudo se passa em mesinhas de plástico á porta de casa, com muito comes e bebes até as tantas da manhã. Os vendedores ambulantes são quase tantos como as motas e igualmente intrusivos. Vendem de tudo e estão preparados com violentos
néons para que a noite não estrague o negócio.
Exibem os melhores sorrisos, e por vezes é difícil discernir a verdade. Estão ali para o turista ver e para vender.

Passeámos pelas verdes ruas, assistimos ás violentas chuvas que duram o segundo de uma montra e visitámos o museu do presidente
How Chi
Min. Esse que ainda hoje é digno de altares pela cidade, foi o líder da ocupação do Vietname Sul. Liderava o Norte e morreu antes da vitória mas não deixou de ficar para sempre na história da guerra da América (como lhe chamam aqui) e de substituir o nome á cidade.
A cidade inspirou-me. Não sei se pelo pouco que corri, se pela correria que vi! Fui espectadora duma daquelas peças de teatro que chegam ao fim sem que tenhamos dado conta do princípio. Tudo vai, tudo vem, tudo circula, não pára.

Há crianças que brincam, que vendem, empregados mostram serviço. Há palmeiras nos canteiros, Internet em todo o lado, jaz do bom num bar que vibra.
Saí cansada e com vontade de ter tempo para saborear aragens.
O Cambodja vem pelo rio e mal posso esperar pelas surpresas que as águas trazem…